Razão x Emoção – Foco e Concentração para não Tiltar!

Razão x Emoção
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Fala, jogadores!

Estou de volta pra falar um pouco de um assunto diferente do habitual, mas que influencia diretamente no sucesso ou no infortúnio quando estamos sentados à mesa de pôquer. É o cabo de guerra razão versus emoção e nossa parte do cérebro que controla o instinto, na espreita, colaborando ou atrapalhando, dependendo da situação.

É importante que o jogador saiba distinguir num torneio live, ou numa reta online, aqueles momentos onde ele começa a agir de uma forma diferente do padrão e o foco começa a ir embora. A mudança é sutil e quem passa por ela não sente, mas muitas vezes quem observa de fora se aproveita disso. Cansaço físico, alimentação inadequada e noite anterior mal dormida contribuem pra isso. O entendimento da parte fisiológica é fundamental, além de outros fatores emocionais, como nosso humor.

Nosso cérebro foi concebido e formado espetacularmente. Não estamos nem perto de desvendá-lo, mas podemos treiná-lo para que seja útil em diversas situações. O artigo aqui não é científico e nem quero ser pretensioso para falar de algo de forma tão detalhada. Existem pessoas mais gabaritadas pra falar de um assunto tão complexo e outras mais conceituadas para falar de algo que está muito na moda, que é o tal do “Mind Set”. Eu estou abordando o tema de forma simplória, que deve sim ser levado em consideração por qualquer jogador de Pôquer que almeje sucesso.

Cérebro

Basicamente, nossa massa cinzenta possui 3 regiões que são responsáveis por nos controlar o tempo todo, em qualquer lugar e durante toda nossa vida. Tecnicamente um neurologista vai falar de hipotálamo (instinto), córtex (razão) e sistema límbico (emoção). Controlá-los de forma independente é praticamente impossível, pois eles funcionam em conjunto. No entanto, é necessário que entre eles exista hierarquia e, fundamentalmente, o conceito de hora e local, já que cada um tem uma função vital para executar de acordo com a necessidade. Identificar quem está no controle requer prática diária com exercícios que nos ajudam a entender o quão somos ínfimos e subutilizamos nossa capacidade de processamento.

Um breve exemplo para refletirmos!

Situação comum num torneio: Você olha na telinha dos blinds e vê que que faltam 10 minutos para o break. Você está “short”, acabou de perder uma mão jogando mal, quer ir ao banheiro, está com sede, com fome e isso está te incomodando muito. O que você faz?

1. Não sai da mesa porque em 10 minutos uma “mão monstro” poderá ser “foldada” e a possibilidade de dobrar o stack será desperdiçada. Além do mais você quer ir à forra com o jogador que fatiou seu stack e está com sangue nos olhos para enfrenta-lo novamente.

2. Saindo naquele momento, você não pegará fila pra usar o banheiro, pra fazer um lanche e ainda sobrará tempo pra discutir uma mão mal jogada e traçar uma estratégia para o pós-break, recuperando-se do “tilt”.

Veja que nem sempre buscamos a opção mais lógica, neste caso, a número 2. O lado instintivo (sede e fome) está te induzindo a escolher o emocional ou o racional. Poderia citar aqui inúmeros exemplos, seja no trabalho, com a família, nas decisões profissionais e no pôquer, acredite. A todo momento, calculamos range, outs, pot odds. Usamos a matemática e a estatística para nos dar um norte nas decisões e muitas vezes ignoramos tudo isso porque olhamos para o vilão e lembramos que ele é um cara que tá na sua “black list” por uma eliminação ocorrida num torneio anterior. Numa situação de 70/30 contra nós, decidimos atolar um A9o porque podemos dar reentrada, e por aí vai.

Pense!

Nós, jogadores regulares, recreativos ou profissionais, precisamos buscar o autoconhecimento, entender como funcionamos por dentro e, porque não, retirar os “leaks” internos. Torneio de Pôquer é um lugar cheio de egos inflados e de pessoas altamente carregadas de vaidade. O nível acirrado de competição muda muitas vezes o comportamento da grande maioria. Pula na frente aquele que observa tudo isso e usa a seu favor.

Estamos falando de esporte da mente, não é mesmo? A racionalidade é o que nos torna únicos como espécie na face da terra. Jogador focado, concentrado, tomando as melhores decisões e preparado psicologicamente é o que irá fazer a diferença quando o entendimento das regras do jogo e o nível de habilidade entre dois “players” estiverem empatadas. Você já prestou atenção naquele jogador que age friamente na mesa em qualquer situação adversa? Leva bads consecutivas, 2 outs no river na bolha de uma FT e ainda assim continua inabalável? Nem mesmo aquele jogador chato que não pára de falar o tira do sério? Por que será, hein? Pensem nisso!

VQV !

Hugo Ewerton

 

Hugo Ewerton, 39 anos, bancário e analista de TI, norte rio-grandense. Jogador de Poker Live há quase 4 anos e fascinado pelo Esporte.

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About Léo Montedônio

Léo Montedônio, 45 anos, Empreendedor, carioca, mora em Brasília desde 1991. Fundou a 1ª Associação de Poker do DF, em 2006, a "Associação Desportiva DF Pôquer". Entusiasta do HORSE e outros "Mixed Games", é Sócio-Diretor do Brasil Poker.

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